domingo, 18 de março de 2012

RESUMO HISTÓRICO

COMPANHIA DE ARTILHARIA Nº 637
OS PRIMEIROS NA GUERRA DO NIASSA
 

RESUMO DA SUA HISTÓRIA DE GUERRA

A Companhia de Artilharia nº 637 embarcou em Lisboa em 01Abr64, no Navio NIASSA, com destino a Moçambique, integrada no Batalhão de Artilharia nº 639. Chegou a Lourenço Marques em 21Abr64, onde desfilou conjuntamente com as restantes unidades do Batalhão.
  
A Cart637 desfilando em Lourenço Marques no dia 21 de Abril de 1964
É porta Guião o 2º Sargento Faria Barbosa
É Cmdt. da Companhia o Capitão de Artª Gagliardini Graça

De imediato seguiu para Norte a bordo do mesmo navio e desembarcou em NACALA a 26Abr64, seguindo por via terrestre para MAÚA, onde ficou aquartelada nas instalações de uma antiga fábrica de descasque de algodão.

Quartel de Maúa

Foi-lhe atribuída uma Zona de Acção que compreendia as áreas dos Postos Administrativos de MAÚA, REVIA, MUNGO e NIPEPE, por onde realizou várias operações de reconhecimento, nomadização, acção psicológica e exercícios de preparação e treino operacponal.

Missa Campal
Longe das famílias e com o perigo sempre eminente, acentua-se o sentimento religioso

Em 12Jan65 destaca dois Grupos de Combate para reforçar o BCaç598, instalado em Vila Cabral. Estes GrComb exerceram atividade operacional nas zonas de MANIAMBA, CODUÉ, OLIVENÇA, MATACA e LIPOGE
Regressaram a Maúa em 31 de Janeiro.
A 16Fev65 a Cart637 vai, na sua máxima força, reforçar o BCaç598 na região de MANDIMBA, onde se previam ações de grupos IN vindos do MALAWI.
Regressou em 01Mar65.
Em 19Mai65 é a Cart637 destacada para VILA CABRAL, em reforço do BCaç598, e vai de imediato nomadizar entre NOVA COIMBRA E MIANDICA, montando uma base (acampamento) em MESSUMBA a partir da qual faz várias operações.
Em 29Mai65 monta nova base entre MONHEERE e MIANDICA, perto da povoação de ABILO, a partir da qual realiza diversas operações nas zonas de ABILO, LIGANGA, MIANDICA e POMBAMALI.

Base de Abilo
Foi nestas condições que a Cart637 permaneceu desde 29Mai65 até 16Jul65.
Cada Esquadra ocupava um abrigo destes.
Na foto o Furriel CARVALHO SANTOS


Em 14Jun65, quando um Grupo de Combate se desloca da base para MIANDICA, foi accionada uma mina, seguida de emboscada, onde morreu o Soldado JOSÉ DE ARAÚJO SENDÃO. Foi a primeira mina detectada em território de Moçambique e o primeiro militar da CART637 caído em combate. No mesmo local, a poucos metros, foi localizada uma segunda mina que foi levantada com êxito pelo 2º Sargtº Faria Barbosa. Foi também a primeira mina levantada em Moçambique.

Primeira mina levantada em Moçambique
No buraco e ao lado vêm-se petardos de TNT com que as minas eram reforçadas 

Esta mina foi inactivada, analisada e estudado o seu dispositivo de funcionamento pelo 2º Sargtº F. Barbosa o qual elaborou um relatório que foi enviado ao Escalão superior e por este divulgado às restantes unidades em operações.

Viatura destruída por uma mina

A Cart637 manteve-se acampada nesta base de ABILO até 16Jul65, tendo realizado várias operações com e sem contacto com o inimigo.
Nesta data a Cart637 desactiva a base, monta algumas armadilhas no local e inicia a viagem de regresso a Vila Cabral, beneficiando de apoio aéreo a partir do rio LUNHO. Chegou a Vila Cabral em 17.
Manteve-se em Vila Cabral até 06Ago65, fazendo escoltas a diversas colunas de reabastecimento, lanchas dos “fusos” e outras operações em colaboração com as autoridades administrativas.
A partir de 06Ago65 instala-se em MANIAMBA, (junto do Posto da Administração Civil) onde lhe é atribuída uma ZA compreendida entre o LAGO NIASSA e o rio MESSINGUE e desde o cruzamento METANGULA – NOVA COIMBRA até ao Km 40 da estrada VILA CABRAL – MANIAMBA.
A capacidade do Soldado Português no que toca a adaptação e improviso é surpreendente
Na foto o Soldado BRAVO RIJO
Daqui parte para diversas operações, tendo numa delas, na região de COLOMA, sofrido uma emboscada, com forte poder de fogo inimigo, de que resultaram dois mortos - Furriel ANTÓNIO MARQUES CARNEIRO e o Soldado AMÍLCAR GONÇALVES DA COSTA RAMOS (o Algarve). O inimigo teve 11 mortos confirmados e, segundo notícias posteriores, cerca de 15 feridos.
A Cart637 manteve-se em MANIAMBA até 13Nov65 realizando operações de combate, escoltas e outras, nas zonas de MEPONDA, COLOMA, rio MESSINGUE, PAGAGE e na célebre zona do CARACOL na estrada entre MANIAMBA e METANGULA.

Morteiro 60mm
Para facilidade de transporte dispensava-se o prato-base.
Na foto o Furriel Ambrósio Lameira

Em 13Nov65 e 18Nov65 a Cart637 regressa a MAÚA, (dividida em dois escalões) terminando assim a sua actuação da zona de VILA CABRAL.
Entretanto as actividades do IN na zona de MAÚA haviam-se intensificado e a Cart637 foi chamada a executar várias operações de combate nas regiões de REVIA, rio NECOLEZE, MUOCO, MECULA, NIPEPE, em algumas FAZENDAS, etc., tendo sofrido mais um morto, o Soldado CARLOS ALBERTO (o Lamego), que tombou em combate em NECOLEZE no dia 05Abr66.
Em 10Out66 a Cart637 regressa finalmente à Metrópole, a bordo do mesmo N/T NIASSA, depois de 2 anos, 5 meses e 14 dias passados sempre em zonas de combate, deixando em cemitérios de Moçambique (Vila Cabral e Missão de Maúa) quatro dos seus militares mortos em combate, naquela guerra que não quiseram mas a que não se furtaram.
A Cart637, muito apropiadamente, adoptou para divisa do seu distintivo OS PRIMEIROS NA GUERRA DO NIASSA pois, juntamente com outras unidades, enfrentou os primeiros ataques inimigos em território de Moçambique.
 Os seus militares regressaram com a certeza do dever cumprido e actualmente, nos seus encontros anuais, curvam-se perante a memória dos que lá ficaram, os quais morreram servindo sob a Bandeira da Pátria Portuguesa.

A PÁTRIA HONRARAM QUE A PÁTRIA OS CONTEMPLE

FARIA BARBOSA
2º SARGTº DA CART637

18 comentários:

  1. Gosto muito do que li sobre o Lunho e a Miandica tambem por lá estive com a C.caç.4141 os gaviões Novembro de 1972 a 20 de Março de 1974 quando a C.Ar.7260 nos foi render,Um abraço a todos os que estiveram no Lunho e Na Miandica.

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  2. HINO DO LUNHO

    No céu cinzento sob o astro mudo
    Batem a hélices na terra esquentada
    Vêem-se em bandos com pés de veludo
    Chupar sangue fresco da manada.
    Estou farto deles
    Esto farto deles
    E não fazem nada.
    e alguem se engana com o seu sorrir
    E lhes franqueia as portas à chegada
    Só mandam vir e não fazem nada.
    Quantas mercedes sr.capitão
    Até agora foram fornicadas?
    Eu bem lhe disse que pusesse os homens
    Picando minas fazendo emboscadas.
    A toda a parte chegam helicópteros
    Poisam nos tandos poisam nas picadas
    Trazem no ventre os cabeças de oiro
    Que de guerrilha não percebem nada.
    Foi de prepósito
    Foi de prepósito
    Foi de prepósito
    Que ela foi estoirada.
    São os reizinhos do Niassa todo
    Senhores por escolha mandadores s/punho
    Aceitam cunhas e dizendo que não
    Passam as rondas sobre o céu do Lunho
    No chão do medo tombam os vencidos
    Ouvem-se gritos na noite abafada
    Jazem nos fossos vitimas de um credo
    E não se esgota o sangue da manada
    Só quero feridos à segunda feira
    Nã quero mais evacuações
    O inimigo deve conhecer-se
    Vámos chamálo para as espeções
    Fazendo a estrada sobre o chão de greda
    Fazem-se aterros pontes e pontões
    Ouvem-se os tiros lá na emboscada
    Aqui no Lunho é que há leões
    Agora queriam arrazar o Lunho
    Deixar a estrada abandonar a pista
    É muito bom já ninguem duvida
    deixa contente qualquer terrorista
    Ouve-se um estrondo todo o chão tremendo
    Saltam as chispas com grande estupor
    Soam as tubas o que terá sido?
    Mudou o chefe de sector.
    Estou farto deles
    estou farto deles
    Só mandam vir
    E não fzem nada
    Acaba a guerra
    Eu cá sou bom
    Sou candeeiro
    E tambem Fougon
    Tremem as paredes de qualquer quartel
    Faltam militares anda tudo à bulha
    Ri-se o capitão ri-se o coronel
    Com esta moda de mini patrulha
    Estou farto deles
    Estou farto deles
    Só mandam vir e não fazem nada
    Por uma ponte sem terminação
    O nosso sangue foi sacrificado
    Mas aleluia não será lembrado
    pelas cabeças do ar condicionado
    Encher o peito de metal brilhante
    É essa a expiração
    Para isso deixa os turra sózinhos
    Dentro da linha de contenção
    Estou farto deles
    Estou farto deles
    Só mandam vir e não fazem nada
    Deixem conhece-los
    Organizá-los
    Depois eu
    Deito-hes a mão
    Se alguem se engana com o seu sorrir
    E lhes franqueia as portas à chegada
    Só mandam vir
    Só mandam vr
    Só mandam vir
    E não fazem nada
    Estranha maneira de tratar o cancro
    Que se propaga por nossa nação
    Ele será leigo ou talvês ceifeiro
    Mas nunca médico ou cirugião.





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  3. Naquela manhã de 19 de Novembro de 1972,quando o sol se declinava suavemente, como uma grande bola de fogo dourada,sobre as cálidas aguas do Lago Niassa, vislumbra-se muito perto da linda praia de Meponda,junto ao areal, a lancha da marinha.O objetivo era carregar mais uma companhia de tropas,a C.CAC.4141 os gaviões que iriam provar as densas e sempre perigosas matas do Niassa.Enquanto não embarcavam-os encontramos um refúgio num recanto junto do aquartelamento de Meponda.O ar trepido estampado nos nossos olhares,bem como a farda camuflada que envergava-mos,ainda reluzente, caraterísticas dos tecidos novos,trouxeram-nos à lembrança, o embarque da Metrópole quando embarcamos. No avião a 12 de Novembro de 1972.Feito o embarque a lancha da marinha dá inicio a sua partida navegando em direção a Metamgula,Nos nossos rostos e debruçados no tombadilho da lancha, observando atômicos,a algazarra que recrudescia à medida que a lancha se aproximava de Metangula.Entretanto aproxcimou-se a hora de de abandonar a lancha dá marinha,foi feita uma formatura em Metangula para que o nosso comandante de companhia Antonio Cardoso Capitão Mili°.fize-se a observação e contagem do pessoal.Em seguida embarcamos numa coluna auto, que à frente iam vários soldados com uns ferros espetados num pau, a picar a picada a ver se encontravam minas colocadas pelo inimigo.A marcha da coluna era bastante lenta,com o sol escaldante, passamos a um aldeamento chamado Nova Coimbra, onde habitavam homens, mulheres,e crianças de raça negra,e um quartel das nossa tropas que à nossa passagem, gritavam como loucos (checa é pior que turra) ides para o mato IDEs para o inferno do Linho.A refulgencia do astro rei deixara de brilhar sobre aquela longa picada, já bastante perto se avistava um aglomerado bairro de latas, cercado de matagal era finalmente o sitio onde íamos abitar por longos meses,era o buraco do Lunho. A coluna militar terminou a sua marcha, foi feito o desembarque, Encontramos o Lunho repleto de militares, naquele ambiente e policromo, quadro irradiado das fardas camufladas, onde o brilho das envargadas pelos checas acabados de chegar, sobressaía da dos "Kokuanas"(velhos)já devotadas pelos muitos meses de uso. Começamos a sentir naquele momento, bastante angústia e incertezas quanto ao futuro. No nosso intimo uma perene esperança, confidencionos então, que o nosso regresso seria uma incerteza.A companhia que a C.CAC.4141 os gaviões foi render foi a companhia 3392.

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