quarta-feira, 14 de abril de 2010
sábado, 10 de abril de 2010
Mais presenças no encontro
Os camaradas Lameiras e o Ramos
Aqui é o Ferreira Pinto que está a fotografar a mesa. Ao lado o Teixeira observado e de pé o Poeta a recitar mais um dos seus muitos poemas.
ENCONTRO ANUAL DO BART 639 CART 636, 637, 638
Realizou-se, hoje, mais um encontro anual dos veteranos de guerra de Moçambique do Batalhão de Artilharia nº 639 e das companhias de Artilharia 636, 637 e 638 no Quartel de Artilharia da Serra do Pilar.
O programa do encontro teve como simbolismo mais importante a missa por alma dos que morreram em combate, dos que morreram por desastre em Moçambique bem como dos que regressaram e já partiram.
Depois houve a homenagem aos mortos em combate desta unidade, com uma cerimónia militar junto ao monumento que regista os seus nomes.
Na relação que a seguir registo estão os meus camaradas da CART 637 que morreram em combate:
O Sendão, o Carneiro, o Amilcar (Algarve) e Carlos Alberto (Lamego)
Depois seguiu-se um almoço de confraternização em que os meus camaradas recordaram momentos vividos em todo o Niassa por onde andámos.
Espero que não faltarão muitas fotos do encontro que nos enviarão os presentes mas eu quero na foto que se segue assinalar a presença de pessoas familiares como por exemplo a esposa e a filha do Tavares bem acompanhadas pelo Virgílio. Nunca faltam a estas festas e que muito contribuem para o seu êxito.
Até para o próximo encontro
Carlos Ribeiro da Silva
domingo, 14 de março de 2010
RECORDANDO o Primeiro-Sargento MARTINS
O 1º Sargento Martins é mais um de tantos militares da CART 637 que já não está entre nós e que me parece merecer ser citado neste espaço da Companhia, pois foi um camarada que connosco viveu bons e maus momentos.
Juntamente comigo (2º Sarg. Barbosa) e com o Comandante da Companhia (Capitão Graça) constituía o reduzido número de militares do quadro permanente, entre os 164 elementos da Companhia.
Tendo sido prisioneiro de guerra aquando da invasão do Estado Português da Índia pelas forças da União Indiana em 1962, encarava a situação em Moçambique com naturalidade e até com alguma ironia, preocupava-se sobretudo com a contabilidade da Companhia (sua principal função) e com as condições de vida e bem estar aos militares, relativizando a situação se guerra que ali se vivia.
Era apaixonadamente um amante da caça, mas sendo inexperiente no ataque á caça grossa, tornou-se presa fácil de um leopardo (já ferido por outros caçadores) que o atacou de surpresa em plena selva. Contudo soube resistir até ser ajudado por outros militares que mataram a fera enquanto o 1º Martins com ela lutava apenas com as próprias mãos. Ficou bastante ferido e guardou como recordação as unhas do animal.…
Sempre alegre, era para todos nós apenas o elemento mais velho da Companhia que nos transmitia experiência e ao mesmo tempo boa disposição, de que era plenamente dotado.
Quem não se lembra da sua célebre frase,”nunca jamais em tempo algum” proferida vezes sem conta enquanto tamborilava entre os dedos a tampa da LAURENTINA (cerveja de Moçambique)?
Depois de regressarmos de Moçambique, e desde que passamos a realizar com regularidade os nossos encontros anuais, poucas vezes o vimos connosco porque o seu estado de saúde era cada vez mais precário e, nos últimos tempos da sua vida, assistia apenas à nossa concentração na Serra do Pilar, desculpando-se com reuniões familiares ou outros compromissos para não ir ao almoço, quando todos sabíamos que não ia para que a tentação não o levasse a abusar de alimentos e bebidas que lhe eram proibidos pelo médico.
No fim de uma manhã de domingo (já não sei de que ano) li no jornal a notícia do seu falecimento, cujo funeral se havia já realizado ás 10h00. Já era tarde e não pude assim acompanhar à sua última morada aquele grande amigo de todos os militares da 637.
Hoje recordo-o com saudade e penso que como eu todos os ex-militares da CART637, pelo que nesta página podemos dizer:
Estás connosco 1º Martins e não te esqueceremos “NUNCA JAMAIS EM TEMPO ALGUM”
T.C.FARIA BARBOSA
2º Sarg. da CART637
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
CORONEL LUÍS ANTONIO THEMUDO GAGLIARDINI GRAÇA
IN MEMÓRIUM
CORONEL LUÍS ANTONIO THEMUDO GAGLIARDINI GRAÇA
Sendo esta página exclusiva da CART 637 forçoso se torna que nela conste o seu Comandante, então Capitão de Artilharia LUIS ANTÓNIO THEMUDO GAGLIARDINI GRAÇA, que, infelizmente, já não está entre nós para nos poder escrever as suas recordações dos dias vividos na nossa Companhia.
Teremos de ser nós a falar dele, o que, embora não sendo difícil, não é fácil fazê-lo em poucas linhas dada a dimensão da sua personalidade.
Falar do Capitão Graça é recordar o Comandante da CART 637, em formação no RAP2 (VILA NOVA DE GAIA) onde nos apresentamos em finais de 1963 para fazer parte da mesma, com destino a Moçambique.
É recordar o Comandante de Companhia:
Que, durante a formação da CART 637, no mesmo RAP2, era extremamente exigente nas instruções de educação física militar e de treino de combate, mas ao mesmo tempo compreensivo e preocupado com os seus soldados, revelando-se um homem de trato fácil e aberto ao diálogo com todos os militares, fossem oficiais sargentos ou praças.
Que naqueles exercícios de IAO, em São Pedro da Cova, sob condições atmosféricas muito adversas, corria as tendas dos seus soldados a informar-se do seu estado, incentivava a audácia nas operações de treino e providenciava a evacuação dos que não estavam em condições físicas de “continuar em combate”.
Que nos primeiros tempos da nossa estada em Maúa, não se conformando com as condições do aquartelamento, iniciou de imediato um conjunto de obras onde, “mendigando” uns “saquitos” de cimento à Engenharia Militar e valendo-se da mão de obra dos seus soldados, conseguiu levar a cabo um conjunto de melhoramentos, nas áreas de saneamento básico, cozinha do rancho geral, abastecimento de água e rede de iluminação eléctrica.
Que quando a Companhia foi destacada para a zona de combate do BCAÇ598 (Vila Cabral) o vimos sempre junto dos seus soldados, preocupado com os riscos que se corriam, mas sem deixar de ser exigente no cumprimento da nossa missão, nunca menosprezando o inimigo nem permitindo quaisquer sevícias sobre prisioneiros inimigos.
Que em todas as circunstâncias punha em primeiro lugar a segurança e dignidade dos seus militares, tendo em cada soldado um amigo, e em Maniamba vimo-lo chorar quando foram mortos em combate o Furriel Carneiro e o Solado Ramos (Algarve).
É recordar o homem amigo:
Que, terminada a comissão, nunca deixou de estar em contacto com muitos dos seus soldados e, a partir de 1980, desde quando passamos a realizar com regularidade os nossos encontros anuais, marcou sempre presença, em ameno convívio com todos os seus ex-militares, que conhecia pelos próprios nomes (alguns até pelas alcunhas) e, embora sendo já Coronel, continuou sempre a ser tratado por Capitão, o que muito prezava e respondia com muita simpatia a esse tratamento, pois para os seus ex-militares continuava sendo o Capitão Graça que os comandou e com eles partilhou bons e maus momentos.
Que nas suas alocuções, nesses mesmos encontros, exaltava os valores da Pátria e exultava os seus ex-militares a não se sentirem diminuídos por terem participado na Guerra do Ultramar, pois fizeram-no ao serviço da Pátria que, conforme nos era ensinado, ia do Minho até Timor.
Que nos últimos anos vinha travando uma luta titânica contra a doença que pouco a pouco o ia minando, mas que, nem por isso, deixava de marcar presença nos encontros anuais, por vezes com reconhecido sacrifício físico.
Até que, na véspera do Natal de 2008, sou surpreendido por um telefonema de um amigo comum informando-me do seu falecimento. Nem queria acreditar. Passei a notícia a outros ex-militares da CART 637 e, apesar do significado da data, muitos marcaram presença prestando uma última homenagem ao seu Comandante.
Perdemos um grande amigo e a CART 637 perdeu a sua figura de referência, mas para os seus militares a imagem do Comandante perdurará para todo o sempre.

Morreu o Coronel Graça, mas o Capitão Graça está vivo e viverá enquanto viver o último dos seus soldados.
ESTARÁ SEMPRE CONOSCO MEU CAPITÃO
TC FARIA BARBOSA
2º Sarg. da Cart 637
CORONEL LUÍS ANTONIO THEMUDO GAGLIARDINI GRAÇA
Sendo esta página exclusiva da CART 637 forçoso se torna que nela conste o seu Comandante, então Capitão de Artilharia LUIS ANTÓNIO THEMUDO GAGLIARDINI GRAÇA, que, infelizmente, já não está entre nós para nos poder escrever as suas recordações dos dias vividos na nossa Companhia.
Teremos de ser nós a falar dele, o que, embora não sendo difícil, não é fácil fazê-lo em poucas linhas dada a dimensão da sua personalidade.
Falar do Capitão Graça é recordar o Comandante da CART 637, em formação no RAP2 (VILA NOVA DE GAIA) onde nos apresentamos em finais de 1963 para fazer parte da mesma, com destino a Moçambique.
É recordar o Comandante de Companhia:
Que, durante a formação da CART 637, no mesmo RAP2, era extremamente exigente nas instruções de educação física militar e de treino de combate, mas ao mesmo tempo compreensivo e preocupado com os seus soldados, revelando-se um homem de trato fácil e aberto ao diálogo com todos os militares, fossem oficiais sargentos ou praças.
Que naqueles exercícios de IAO, em São Pedro da Cova, sob condições atmosféricas muito adversas, corria as tendas dos seus soldados a informar-se do seu estado, incentivava a audácia nas operações de treino e providenciava a evacuação dos que não estavam em condições físicas de “continuar em combate”.
Que nos primeiros tempos da nossa estada em Maúa, não se conformando com as condições do aquartelamento, iniciou de imediato um conjunto de obras onde, “mendigando” uns “saquitos” de cimento à Engenharia Militar e valendo-se da mão de obra dos seus soldados, conseguiu levar a cabo um conjunto de melhoramentos, nas áreas de saneamento básico, cozinha do rancho geral, abastecimento de água e rede de iluminação eléctrica.
Que quando a Companhia foi destacada para a zona de combate do BCAÇ598 (Vila Cabral) o vimos sempre junto dos seus soldados, preocupado com os riscos que se corriam, mas sem deixar de ser exigente no cumprimento da nossa missão, nunca menosprezando o inimigo nem permitindo quaisquer sevícias sobre prisioneiros inimigos.
Que em todas as circunstâncias punha em primeiro lugar a segurança e dignidade dos seus militares, tendo em cada soldado um amigo, e em Maniamba vimo-lo chorar quando foram mortos em combate o Furriel Carneiro e o Solado Ramos (Algarve).
É recordar o homem amigo:
Que, terminada a comissão, nunca deixou de estar em contacto com muitos dos seus soldados e, a partir de 1980, desde quando passamos a realizar com regularidade os nossos encontros anuais, marcou sempre presença, em ameno convívio com todos os seus ex-militares, que conhecia pelos próprios nomes (alguns até pelas alcunhas) e, embora sendo já Coronel, continuou sempre a ser tratado por Capitão, o que muito prezava e respondia com muita simpatia a esse tratamento, pois para os seus ex-militares continuava sendo o Capitão Graça que os comandou e com eles partilhou bons e maus momentos.
Que nas suas alocuções, nesses mesmos encontros, exaltava os valores da Pátria e exultava os seus ex-militares a não se sentirem diminuídos por terem participado na Guerra do Ultramar, pois fizeram-no ao serviço da Pátria que, conforme nos era ensinado, ia do Minho até Timor.
Que nos últimos anos vinha travando uma luta titânica contra a doença que pouco a pouco o ia minando, mas que, nem por isso, deixava de marcar presença nos encontros anuais, por vezes com reconhecido sacrifício físico.
Até que, na véspera do Natal de 2008, sou surpreendido por um telefonema de um amigo comum informando-me do seu falecimento. Nem queria acreditar. Passei a notícia a outros ex-militares da CART 637 e, apesar do significado da data, muitos marcaram presença prestando uma última homenagem ao seu Comandante.
Perdemos um grande amigo e a CART 637 perdeu a sua figura de referência, mas para os seus militares a imagem do Comandante perdurará para todo o sempre.

Morreu o Coronel Graça, mas o Capitão Graça está vivo e viverá enquanto viver o último dos seus soldados.
ESTARÁ SEMPRE CONOSCO MEU CAPITÃO
TC FARIA BARBOSA
2º Sarg. da Cart 637
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
BARBOSA
MANUEL JOAQUIM FARIA BARBOSA
EX – 2º SARGENTO DA CART 637
RECORDAÇÕES DE DIAS VIVIDOS NA CART 637
1963
Nos meus verdes vinte e quatro anos fui nomeado para fazer parte da CART 637, formada (em Outubro de1963) no então RAP 2, na Serra do Pilar – V. N. GAIA, com destino a Moçambique. Éramos apenas três militares do Quadro Permanente: eu (Fur. /2º Sarg.), o1º Sarg. Martins e o Comandante da CART (Capitão Graça), num total de 169 militares. Os restantes (5 oficiais, 15 Sargentos e 146 praças) eram todos milicianos e praças do serviço militar obrigatório.
Desde logo foi notório o espírito de camaradagem entre todos os componentes da Companhia, sem comprometer o sentido do dever e o respeito pela disciplina, pois íamos iniciar um longo período de vivência em comum, enfrentar perigos e outros horrores inerentes a uma situação de guerra.
Embarcamos no Navio Niassa em 1 de Abril de 1964
1964/65/66
Não nos esperava tarefa fácil nessa ex - Província Portuguesa, conforme se pode constatar lendo a História da CART637.
Fomos os PRIMEIROS NA GUERRA DO NIASSA
e quatro dos nossos camaradas lá perderam a vida, nessa guerra que não quiseram mas a que não se furtaram, porque a missão do militar não é questionar a guerra mas sim enfrentá-la. Morreram ao serviço da Pátria e tanto deram à Pátria a troco de tão pouco….
Regressei à Metrópole em Outubro de 1965, a fim de ingressar na Academia Militar, pelo que não vivi nem tomei parte em algumas das acções mais marcantes da minha Companhia.
2009
Passados que são 45 anos (já idosos avós) reunimo-nos anualmente em confraternização, recordando o bom ambiente vivido entre militares, quer do QP quer do Serviço Obrigatório, de que era expoente máximo o Comandante da Companhia (Capitão Gagliardini Graça) que, infelizmente, já nos deixou, assim como tantos outros que recordamos com saudade.
Confraternizamos e recordamos tempos passados nessas inóspitas terras africanas, sem complexos pois limitámo-nos a cumprir a nossa missão servindo sob a Bandeira da Pátria Portuguesa que, segundo nos diziam, se estendia do Minho até Timor. Nada nos pesa na consciência pois fizemos a guerra apenas com o espírito do cumprimento do dever, lutamos sem ódio e com lealdade, no respeito pela deontologia militar, honramos os nossos amigos e nunca humilhamos os nossos inimigos. Nenhum ex militar da CART 637 se sente diminuido pela sua participação na guerra.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Encontro na Serra do Pilar em 2008
Olá Camaradas.
Para perpetuar a vivência de quase 3 anos de camaradagem todos os anos se fazem encontros na Serra do Pilar dos antigos camaradas da CART.637.
AGORA COM ESTE BLOG QUEREMOS REFORÇAR, AINDA MÁIS, ESTES ENCONTROS POR VIA VIRTUAL.
Para começar o que queremos?
Que cada militar da 637 nos envie uma foto do tempo de Moçambique e uma actual com um pequeno texto que nós publicaremos.
Para esta tarefa já estão mobilizados, Eu, Carlos Manuel Ribeiro da Silva e Manuel Joaquim Faria Barbosa a que se juntarão outros, estamos certos.
Venha de lá esse abraço apertado.
Ribeiro da Silva
Para perpetuar a vivência de quase 3 anos de camaradagem todos os anos se fazem encontros na Serra do Pilar dos antigos camaradas da CART.637.
AGORA COM ESTE BLOG QUEREMOS REFORÇAR, AINDA MÁIS, ESTES ENCONTROS POR VIA VIRTUAL.
Para começar o que queremos?
Que cada militar da 637 nos envie uma foto do tempo de Moçambique e uma actual com um pequeno texto que nós publicaremos.
Para esta tarefa já estão mobilizados, Eu, Carlos Manuel Ribeiro da Silva e Manuel Joaquim Faria Barbosa a que se juntarão outros, estamos certos.
Venha de lá esse abraço apertado.
Ribeiro da Silva
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