quarta-feira, 13 de abril de 2011

O SOLDADO FONSECA


UM MILITAR DA CART. 637
1963/64


Lembro-me da sua chegada, em finais do ano de 1963,ao 1º pelotão da Cart.637 (ainda em formação no Quartel da Serra do Pilar) ficando imediatamente conhecido por ser primo do Comandante de Pelotão, Aspirante Pinto da Fonseca, sendo eu então monitor do pelotão e comandante da Secção de Morteiros,
 Apesar disso não gozou de quaisquer facilidades, pois o Aspirante Pinto da Fonseca era um militar íntegro, para quem serviço era serviço e cognac era cognac. (Este oficial não seguiu connosco para Moçambique, por motivos de saúde de que viria a falecer pouco depois)
Mas foi pela relação de parentesco com o Cmdt do pelotão que o Soldado Fonseca passou a ser tratado pelo nome e não pelo número como era habitual naquele tempo.
Muito jovem e imberbe assumia-se contudo pelo seu sentido de responsabilidade pois era já homem casado e pai de dois filhos.
Embarcamos no navio NIASSA em 01Abr64, com destino a Moçambique e durante a viagem, feita em condições deploráveis, destacava-se pela sua boa disposição e não sei até se é da sua autoria a letra da cançãoEMBARCAMOS NO NIASSA entoada vezes sem conta quando estávamos em Maúa

1964/65/66
Em Moçambique foi nomeado ordenança do Comandante da Companhia onde, pela sua dedicação e disponibilidade permanente, granjeou a confiança deste e criou uma relação de amizade mútua que havia de perdurar muito para além da comissão de serviço
A par disso exerceu funções no âmbito da sua especialidade (transmissões) sofrendo como qualquer outro as agruras da guerra..

1966/67/ ...../2011


Regressado à Metrópole ingressou no mundo do trabalho, pois tinha casa de família a sustentar, tendo sido funcionário dos STCP e depois bancário.
Foi um dos impulsionadores dos nossos encontros anuais e sempre manteve contactos com os seus ex-camaradas e, principalmente com o nosso Comandante, (Capitão Graça) e família, a quem ficou ligado por uma profunda amizade, e não pode conter as lágrimas quando, em 24de Dezembro de 2008, lhe comuniquei o falecimento desse nosso amigo comum.

Já na situação de reforma e "jóvem" avô é presença assídua nos encontros anuais do Batalhão, onde exalta o orgulho de ter pertencido à CART.637.

.A CART. 637 também se orgulha de todos os seus soldados, nomeadamente o Soldado FONSECA e eu tenho-o como um bom amigo.


Faria Barbosa
2º Sarg. da 637

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Encontro de 2011


Mais um encontro anual teve lugar em 02 de Abril de 2011.
Concentramo-nos no quartel da Serra do Pilar, como habitualmente, onde homenageamos os nossos mortos e dali seguimos para o almoço convívio no restaurante Flor do Paraíso.
Foi um dia agradável em que muitos marcaram presença recordando tempos vividos naquelas terras de Moçambique.
Foi agradável contarmos com a presença da esposa (viúva) do nosso Comandante, D. Maria Benedita Gagliardini Graça, durante as cerimónias na Serra do Pilar, pois também esteve connosco em Moçambique, e a sua presença entre nós reveste-se de um significado especial atendendo à memória do seu marido, Coronel (Capitão) Graça, figura de referência da CART 637, sempre presente no coração de todos os militares desta Companhia.

Faria Barbosa
2º Sarg. da Cart. 637

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O encontro deste ano foi em 10 de Abril de 2010 e foram estes os presentes.

sábado, 10 de abril de 2010

Mais presenças no encontro

Os camaradas Lameiras e o Ramos
Aqui é o Ferreira Pinto que está a fotografar a mesa. Ao lado o Teixeira observado e de pé o Poeta a recitar mais um dos seus muitos poemas.

ENCONTRO ANUAL DO BART 639 CART 636, 637, 638

Realizou-se, hoje, mais um encontro anual dos veteranos de guerra de Moçambique do Batalhão de Artilharia nº 639 e das companhias de Artilharia 636, 637 e 638 no Quartel de Artilharia da Serra do Pilar.
O programa do encontro teve como simbolismo mais importante a missa por alma dos que morreram em combate, dos que morreram por desastre em Moçambique bem como dos que regressaram e já partiram.
Depois houve a homenagem aos mortos em combate desta unidade, com uma cerimónia militar junto ao monumento que regista os seus nomes.
Na relação que a seguir registo estão os meus camaradas da CART 637 que morreram em combate:
O Sendão, o Carneiro, o Amilcar (Algarve) e Carlos Alberto (Lamego)
Depois seguiu-se um almoço de confraternização em que os meus camaradas recordaram momentos vividos em todo o Niassa por onde andámos.
Espero que não faltarão muitas fotos do encontro que nos enviarão os presentes mas eu quero na foto que se segue assinalar a presença de pessoas familiares como por exemplo a esposa e a filha do Tavares bem acompanhadas pelo Virgílio. Nunca faltam a estas festas e que muito contribuem para o seu êxito.

Até para o próximo encontro
Carlos Ribeiro da Silva


domingo, 14 de março de 2010

RECORDANDO o Primeiro-Sargento MARTINS



O 1º Sargento Martins é mais um de tantos militares da CART 637 que já não está entre nós e que me parece merecer ser citado neste espaço da Companhia, pois foi um camarada que connosco viveu bons e maus momentos.
Juntamente comigo (2º Sarg. Barbosa) e com o Comandante da Companhia (Capitão Graça) constituía o reduzido número de militares do quadro permanente, entre os 164 elementos da Companhia.
Tendo sido prisioneiro de guerra aquando da invasão do Estado Português da Índia pelas forças da União Indiana em 1962, encarava a situação em Moçambique com naturalidade e até com alguma ironia, preocupava-se sobretudo com a contabilidade da Companhia (sua principal função) e com as condições de vida e bem estar aos militares, relativizando a situação se guerra que ali se vivia.
Era apaixonadamente um amante da caça, mas sendo inexperiente no ataque á caça grossa, tornou-se presa fácil de um leopardo (já ferido por outros caçadores) que o atacou de surpresa em plena selva. Contudo soube resistir até ser ajudado por outros militares que mataram a fera enquanto o 1º Martins com ela lutava apenas com as próprias mãos. Ficou bastante ferido e guardou como recordação as unhas do animal.…
Sempre alegre, era para todos nós apenas o elemento mais velho da Companhia que nos transmitia experiência e ao mesmo tempo boa disposição, de que era plenamente dotado.
Quem não se lembra da sua célebre frase,”nunca jamais em tempo algum” proferida vezes sem conta enquanto tamborilava entre os dedos a tampa da LAURENTINA (cerveja de Moçambique)?
Depois de regressarmos de Moçambique, e desde que passamos a realizar com regularidade os nossos encontros anuais, poucas vezes o vimos connosco porque o seu estado de saúde era cada vez mais precário e, nos últimos tempos da sua vida, assistia apenas à nossa concentração na Serra do Pilar, desculpando-se com reuniões familiares ou outros compromissos para não ir ao almoço, quando todos sabíamos que não ia para que a tentação não o levasse a abusar de alimentos e bebidas que lhe eram proibidos pelo médico.
No fim de uma manhã de domingo (já não sei de que ano) li no jornal a notícia do seu falecimento, cujo funeral se havia já realizado ás 10h00. Já era tarde e não pude assim acompanhar à sua última morada aquele grande amigo de todos os militares da 637.
Hoje recordo-o com saudade e penso que como eu todos os ex-militares da CART637, pelo que nesta página podemos dizer:
Estás connosco 1º Martins e não te esqueceremos “NUNCA JAMAIS EM TEMPO ALGUM”


T.C.FARIA BARBOSA
2º Sarg. da CART637

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

CORONEL LUÍS ANTONIO THEMUDO GAGLIARDINI GRAÇA


IN MEMÓRIUM




CORONEL LUÍS ANTONIO THEMUDO GAGLIARDINI GRAÇA



Sendo esta página exclusiva da CART 637 forçoso se torna que nela conste o seu Comandante, então Capitão de Artilharia LUIS ANTÓNIO THEMUDO GAGLIARDINI GRAÇA, que, infelizmente, já não está entre nós para nos poder escrever as suas recordações dos dias vividos na nossa Companhia.

Teremos de ser nós a falar dele, o que, embora não sendo difícil, não é fácil fazê-lo em poucas linhas dada a dimensão da sua personalidade.


Falar do Capitão Graça é recordar o Comandante da CART 637, em formação no RAP2 (VILA NOVA DE GAIA) onde nos apresentamos em finais de 1963 para fazer parte da mesma, com destino a Moçambique.

É recordar o Comandante de Companhia:

Que, durante a formação da CART 637, no mesmo RAP2, era extremamente exigente nas instruções de educação física militar e de treino de combate, mas ao mesmo tempo compreensivo e preocupado com os seus soldados, revelando-se um homem de trato fácil e aberto ao diálogo com todos os militares, fossem oficiais sargentos ou praças.

Que naqueles exercícios de IAO, em São Pedro da Cova, sob condições atmosféricas muito adversas, corria as tendas dos seus soldados a informar-se do seu estado, incentivava a audácia nas operações de treino e providenciava a evacuação dos que não estavam em condições físicas de “continuar em combate”.
Que nos primeiros tempos da nossa estada em Maúa, não se conformando com as condições do aquartelamento, iniciou de imediato um conjunto de obras onde, “mendigando” uns “saquitos” de cimento à Engenharia Militar e valendo-se da mão de obra dos seus soldados, conseguiu levar a cabo um conjunto de melhoramentos, nas áreas de saneamento básico, cozinha do rancho geral, abastecimento de água e rede de iluminação eléctrica.

Que quando a Companhia foi destacada para a zona de combate do BCAÇ598 (Vila Cabral) o vimos sempre junto dos seus soldados, preocupado com os riscos que se corriam, mas sem deixar de ser exigente no cumprimento da nossa missão, nunca menosprezando o inimigo nem permitindo quaisquer sevícias sobre prisioneiros inimigos.

Que em todas as circunstâncias punha em primeiro lugar a segurança e dignidade dos seus militares, tendo em cada soldado um amigo, e em Maniamba vimo-lo chorar quando foram mortos em combate o Furriel Carneiro e o Solado Ramos (Algarve).

É recordar o homem amigo:

Que, terminada a comissão, nunca deixou de estar em contacto com muitos dos seus soldados e, a partir de 1980, desde quando passamos a realizar com regularidade os nossos encontros anuais, marcou sempre presença, em ameno convívio com todos os seus ex-militares, que conhecia pelos próprios nomes (alguns até pelas alcunhas) e, embora sendo já Coronel, continuou sempre a ser tratado por Capitão, o que muito prezava e respondia com muita simpatia a esse tratamento, pois para os seus ex-militares continuava sendo o Capitão Graça que os comandou e com eles partilhou bons e maus momentos.


Que nas suas alocuções, nesses mesmos encontros, exaltava os valores da Pátria e exultava os seus ex-militares a não se sentirem diminuídos por terem participado na Guerra do Ultramar, pois fizeram-no ao serviço da Pátria que, conforme nos era ensinado, ia do Minho até Timor.

Que nos últimos anos vinha travando uma luta titânica contra a doença que pouco a pouco o ia minando, mas que, nem por isso, deixava de marcar presença nos encontros anuais, por vezes com reconhecido sacrifício físico.

Até que, na véspera do Natal de 2008, sou surpreendido por um telefonema de um amigo comum informando-me do seu falecimento. Nem queria acreditar. Passei a notícia a outros ex-militares da CART 637 e, apesar do significado da data, muitos marcaram presença prestando uma última homenagem ao seu Comandante.

Perdemos um grande amigo e a CART 637 perdeu a sua figura de referência, mas para os seus militares a imagem do Comandante perdurará para todo o sempre.



Morreu o Coronel Graça, mas o Capitão Graça está vivo e viverá enquanto viver o último dos seus soldados.








ESTARÁ SEMPRE CONOSCO MEU CAPITÃO


TC FARIA BARBOSA

2º Sarg. da Cart 637